Paternidade contemporânea

Agora que passou o Dia dos Pais e tanta coisa foi dita sobre a paternidade, podemos refletir sobre o que se espera do pai contemporâneo: sobretudo que esteja presente, que compartilhe o afeto, as tarefas da casa e os cuidados (sim, trocar fraldas!) com a mãe.

E aí vem a pergunta: como exercer uma paternidade ativa?

Um pai presente, comprometido e carinhoso influencia positivamente no desenvolvimento e bem-estar dos filhos em diversas áreas, ao longo de toda vida. Crianças que tiveram um pai participativo apresentam maior autoestima, melhor desempenho escolar, mais habilidades sociais e, no caso dos meninos, maior probabilidade de ser um pai comprometido.

Um guia sobre paternidade ativa foi desenvolvido pelo Unicef e outras duas instituições, e achamos bem interessante. O único contratempo é que está totalmente em espanhol, afinal foi distribuído no Chile, mas os tradutores online de hoje podem ajudar bastante na compreensão. Segundo a publicação, e nós também acreditamos nisso, a paternidade se aprende com a prática. Logo é natural ter muitas dúvidas a respeito. “O mais importante é confiar em você mesmo e nas observações pessoais que você tem do seu filho”, indica o material. Em suma: Keep calm and carry on.

Ainda de acordo com a publicação, ser um pai ativo significa:

– Ter uma relação afetuosa e incondicional com seu filho;

– Manter uma relação que vá além do provimento financeiro;

– Participar dos cuidados diários e da criação do seu filho, dando comida, ajudando-o a se vestir, colocando-o para dormir e ensinando-o;

– Promover um vínculo carinhoso, de apego mútuo e de proximidade emocional com seu filho;

– Compartilhar com a mãe as tarefas de cuidados com o filho e com a casa;

– Estar envolvido em todos os momentos do desenvolvimento do seu filho: gravidez, nascimento, primeira infância, infância e adolescência;

– Incentivar o desenvolvimento de seu filho: lendo histórias, cantando e/ou colocando música, apoiando-o em trabalhos de casa e brincando com ele.

Ah, e todas essas ações podem ser realizadas sendo o pai casado com a mãe da criança ou não. Basta querer! O que realmente faz a diferença é que ambos cheguem a um acordo diante das principais questões de criação do filho. O guia afirma que é positivo que os casais e ex-casais (e por que não os nunca-casais?) aprendam a negociar as decisões de criação de seus filhos. Observa-se que quando há menos conflitos na relação entre os progenitores existe uma maior participação do pai na vida da criança.

Igualdade para pais e mães

O papel do pai desde o acompanhamento do pré-natal, no apoio pós-parto e também no vínculo que ele cria com o bebê é fomentado com essa mudança significativa no tempo da licença paternidade. Também seria um sonho a possibilidade de folgar ou reduzir o expediente para levar um filho ao médico ou assistir a algum tipo de apresentação escolar – algumas poucas empresas já proporcionam isso aos funcionários.

No pós-parto, por exemplo, com um pai em casa que apoie a mãe, a mulher tem mais tempo para se dedicar a amamentação. Além disso, vínculos afetivos são fortalecidos desde antes do nascimento do bebê, durante o acompanhamento às consultas do pré-natal.

Um maior envolvimento do pai na primeira infância auxilia no desenvolvimento da criança também a longo prazo. A extensão da licença-paternidade diminui a desigualdade de gêneros no mercado de trabalho e muda o comportamento das famílias quanto à divisão de tarefas domésticas e criação dos filhos.

A possibilidade de uma licença de 20 dias já é um avanço, imagine uma de quatro meses. Esse benefício representa de forma emblemática a filosofia de equilibrar a vida pessoal e profissional de maneira saudável.

A paternidade é masculina?

Claro que paternidade está associada ao sexo masculino. Portanto, como aprendemos a ser homens influencia fortemente a paternidade que vamos exercer no futuro.

O nosso modelo de masculinidade, em termos sociais e históricos, não foi um sucesso para a paternidade. Foi criada a expressão “paternidade responsável” exatamente para descrever o que não fizeram os pais biológicos de mais de 5,5 milhões de crianças brasileiras que não têm um nome paterno no registro de nascimento. Em um país onde o machismo e a misoginia seguem fortes (com um governo que é uma caricatura disso) é a atitude do pai que se desresponsabiliza que mais salta aos olhos.

E como falar de machismo sem falar dos primeiros anos na vida de um garoto, sem falar em educação? Quantas vezes alguém viu um moleque brincando de casinha, com boneca no colo cuidando do bebê – e como foi a reação das pessoas a esta cena? Armas, luta, provar que é macho e declarar que a casa é coisa de menininha ainda determina a formação dos meninos. É preciso uma tomada de consciência de quem educa sobre a importância de mexer nesses padrões de gênero que se estabelecem desde o nascimento. E impedem que o garoto, que um dia irá tornar-se pai, consiga vivenciar a experiência de cuidar, de dar carinho, de ser responsável nas rotinas e nos trabalhos paralelos. Para ilustrar citamos um documentário lançado em 2015, que se encontra no Netflix: “The Mask You Live In”. É sobre os meninos americanos, mas vale para todos….

No Brasil, 37,7% das famílias são chefiadas por mulheres, e muitas outras unidades familiares são compostas por tias, avós, etc. Os atributos da paternidade podem não estar sequer ao cargo de homens. Faz sentido perguntar quem é a mãe em um casal homossexual masculino, ou quem é o pai em um casal homossexual feminino?

Algumas escolas mais progressistas optam por não festejar o dia dos pais nem o das mães, mas fazem uma “festa da família”.  Além de poupar as crianças que não possuem pais ou mães de uma comemoração desnecessariamente triste, aquela comunidade optou por ressaltar quem realmente exerce a paternidade e a maternidade: a família. Não importa como ela se constitua: é da cooperação de seus membros e da capacidade de darem o melhor de si coordenadamente pelos filhos que resulta o amparo, afeto e segurança que as crianças terão.

O pai único

Mas como a individualidade de um homem influi em seu papel de pai? Para maior clareza pensemos um minuto no papel da mãe: será mesmo que a mãe é a cuidadora principal, a responsável central pela sensação de amor, a que se dedica exclusivamente aos filhos? Pode ser, claro! E muitas vezes é. Mas pode não ser. Algumas destas atribuições podem estar no próprio pai ou na avó, ou em tantos agregados amorosos que as famílias souberam criar. E a mãe pode ter atributos que em absoluto não cabem nesta narrativa tradicional: pode ser uma profissional eficiente, pode ter uma participação social relevante e que lhe exige muito tempo, pode sentir-se melhor na administração mais ampla do lar do que no trato diuturno com os filhos. Alguns homens enfrentam mais preconceito ao assumir tarefas maternas do que as mães ao assumir as paternas. Preconceito este que pode vir de fora, mas também, em sua maioria, vem dos próprios homens ao se perceberem neste papel.

O molde “família feliz” com papai no trabalho e mamãe em casa é bonitinho, só que não. Ele saiu pela tangente da realidade porque cada vez mais as pessoas querem ser exatamente o que são, concedendo cada vez menos às expectativas sociais de gênero.

Um pai que só quer dar colo, que se desespera com a febre da filha, que mostra-se excessivamente tolerante com as experimentações dos rebentos, ou um pai solteiro (o “pãe”), está praticando a paternidade que pode, que consegue, que melhor conduz o seu amor aos filhos que lhe tocaram.

Nossas crianças precisam de amor, e nós precisamos do amor delas. Já sofremos todos (e já fizemos sofrer) o suficiente pela estereotipação de gênero que infelicitou gerações. Um sábio mineiro já disse: qualquer maneira de amor vale a pena.

Não basta realmente ser pai. Se cada um é único, cabe descobrir sua forma única de ser pai. Ela será diferente conforme a parceira(o), a época e a personalidade da criança que o universo lhes brindar.

Se você tem um pai digno de uma homenagem, presenteie-o com um Livro da Tribo. Você não estará apenas dando uma lembrança, estará oferecendo afeto em forma de poesia e belas imagens.

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Bansky quer mudar o mundo

Um artista britânico célebre (mas anônimo) não poderia ser mais contemporâneo e controverso: sua arte dá palpite sobre o uso do espaço urbano, a propaganda, o capitalismo, a crise de refugiados na Europa, a ocupação da Palestina por Israel e vários outros temas que mexem com a cabeça e o coração de quem olha e sente Banksy.

Suas obras (grafites) são feitas pelas ruas e sem autorização – se soubessem quem ele é, provavelmente seria preso por algumas de suas manifestações que incomodam muita gente e até chefes de estado. Por outro lado, a sua arte faz o delírio de grandes colecionadores, que são capazes de pagar milhões de dólares por um pedaço de concreto ou parede com um trabalho seu. E para isso, não se esquivam, inclusive, da “apropriação indébita”, uma vez que o artista jamais autorizou a venda dessas obras ou até mesmo a remoção delas. Para entender melhor, vale a pena assistir ao documentário Saving Banksy, no Netflix.

E aí você pode estar se perguntando: o que leva um sujeito a desprezar milhões de dólares em uma arte e optar por executá-la de uma forma que provavelmente será apagada, pintada por cima, por algum “ser sensível” como o prefeito de São Paulo ? Você pode até chegar à conclusão de que ele (Banksy) é um perdedor, só pode ser um loser – um desses caras que nasceu pra não dar certo. Tudo faria sentido, exceto pelo fato de que estamos, aqui e agora, falando dele e muita gente pelo mundo todo também está fazendo o mesmo. Sua estratégia, por mais insana que pareça, lhe conferiu reconhecimento, admiração, valor e visibilidade.

Mas não é só Banksy que trilha sua trajetória na street art. Desde os anos 70, o movimento ganha forças por todo o mundo e faz história baseado em pichações e grafite. Só para constar, a arte do grafite começou lá no Império Romano, e há até quem afirme que as pinturas rupestres seriam as precursoras do movimento.

Mas afinal, quem são estes malucos que ficam espalhando reflexão, beleza e crítica social por aí? O que pretendem? O que nós tupinambás temos com isto?

Esses homens e mulheres são cidadãos do mundo, pessoas ligadas na necessidade de inventar um novo futuro além do progresso econômico e usam a arte como meio de propagar a sua mensagem. O que pretendem com suas obras efêmeras? Provavelmente mudar o mundo.

E nós, brasileiros, o que temos a ver com isto? Tudo, porque a mesma miopia sobre a arte e o espaço urbano está assolando nosso país, apagando trabalhos de Os Gêmeos, Nina Pandolfo, Gustavo Cortelazzi e tantos outros artistas reconhecidos internacionalmente que – “otários” – embelezam nossas cidades sem ganhar nada (e correndo o risco de ir em cana).

Mas nem tudo está perdido ou será apagado. Enquanto São Paulo fortalece a alcunha de ser uma cidade cinza e manter a arte aprisionada em museus e galerias; Niterói, no Rio de Janeiro, abraça a Street Art e tem leis que protegem essa expressão artística.

Uma delas: a LEI que autoriza a execução da arte em pilares de viadutos, pontes, passarelas, pistas de skate e muros públicos selecionados. Vale destacar que fica a cargo do Poder Executivo Municipal, a produção anual de uma lista apontando as áreas grafitáveis na cidade, com atualização semestral ou sempre que solicitado pelo Conselho Municipal de Cultura. Já o outro projeto aprovado em Niterói está promulgado sob a LEI  que libera a prática do grafite nos tapumes de obras públicas da cidade. Segundo a lei mais recente (2015), o artista terá livre escolha do desenho a ser feito, mas não estão autorizadas pinturas que propagandeiem a intolerância e preconceito de qualquer natureza – neste município, a administração pública, em parte, apoia artistas de rua e suas diversas manifestações, como uma perspectiva positiva no enfrentamento da depredação dos espaços urbanos.

Contudo, a liberação para a prática de grafite nos tapumes das obras privadas niteroienses só é permitida mediante autorização por escrito do dono ou responsável legal da obra. Não é o Jardim do Éden, mas já é um começo, quem sabe a moda pegue e se espalhe por nossa Terrinha de Santa Cruz!?

Seria o grafite a verdadeira poesia concreta de campos e espaços?

E os poetas? Tem quem faça varais de poesia. Tem quem tire xerox e cole num poste. Tem quem afixa a obra no mural da escola ou empresa. A maioria só quer ser lido – como Bansky quer ser visto. Afinal, a arte emana do povo e deveria ser acessível a todos.

Se existe um futuro que não seja exclusivamente o sucesso financeiro, se existe a possibilidade de um planeta com respeito mútuo, valorização das diferenças e cooperação, se vamos vislumbrar um trajeto para atingirmos alguma beleza, para sairmos da miséria material e moral em que estamos imersos, é nestes poemas, nestes grafites, nestes refrãos de música que está o mapa do caminho.

É a arte, seu tolo. Ela vai nos distrair, nos encantar, mas sempre apontar o dedo: esta ordem não é humana, e precisa melhorar, melhorar, e muito!

Livros da Tribo com capas inspiradas em Banksy

Arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para moldá-lo.

Maiakovsky

A história do Livro da Tribo

O embrião do Livro da Tribo começou a ser gerado em 1989, em um sobrado dentro de uma vila no bairro Paraíso, em São Paulo, quando um grupo de sete amigos decidiu realizar a empreitada de um projeto coletivo baseado na autogestão. Vários tipos de empreendimentos passaram por nossas cabeças: hotel, restaurante… e por que não uma editora?

Isso mesmo, uma editora! Afinal, já tínhamos experiência na área, desenvolvendo produções low-tech (com pouca ou nenhuma tecnologia). Afinamos as ideias e começamos
a “parir” o Livro (que ainda não era da Tribo) – uma espécie de caderno/agenda com uma visão libertária sobre a vida, o amor, as relações, a família, as religiões e instituições em geral –
através de frases, poemas e imagens, selecionados de inúmeras fontes e pessoas. Queríamos, a partir de texto e imagem, uma reflexão sobre temas do cotidiano sem deixar de
lado o humor, a irreverência e o lirismo.

No início foi um trabalho praticamente braçal – montagem, impressão em serigrafia, encadernação das capas e acabamento final – uma pequena tiragem de 500 unidades que para a surpresa de todos se esgotaram em menos de uma semana.

Um ano depois, mesmo com a equipe reduzida (três pessoas) o Livro cresceu, a tiragem chegou a 5 mil unidades e recebeu o nome de “Archipelago”. Nessa época, a distribuição era, em grande parte, feita a partir dos integrantes dos grupos de Ludens (trabalho
de dinâmica de grupo baseado em Reich, Gestalt e autogestão) em várias capitais. Vendíamos nos bares, no trabalho, em shows… e como vendíamos! Era uma novidade, não havia nada parecido no mercado. Aliás, as papelarias e livrarias não tinham o menor interesse em um “livro tão diferente”…

Em 1994, outras pessoas aderiram ao projeto. Chegamos a uma equipe de 25 cabeças pensantes. Foi então que surgiu, oficialmente, a Editora da Tribo. Todo o lucro era distribuído para os integrantes. Surgiram outras empresas, associadas à Tribo, que cuidavam da distribuição em: Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador. Archipelago – dizíamos porque era um conjunto de ilhas separadas pelo que as une. Nossas diferenças eram o que nos separava, e também nos unia.

Ao longo de mais de 20 anos e sobrevivendo a sucessivas crises econômicas, a Editora produziu, além dos livros, cadernos, índices telefônicos, livro de poesia, cartões postais, adesivos, colantes, capas em nylon, pôsteres e camisetas. Mas isso não é tudo. Ainda temos projetos a serem produzidos.

Os tempos mudaram e a forma de fazer o Livro da Tribo (LT) também. Hoje, os sócios trabalham em São Paulo, São José do Rio Preto e Brasília,  terceirizamos alguns processos e nos dedicamos ao conteúdo. Essa é a fórmula que deu certo para espalhar poesia de
qualidade com ideias e bom humor.

Mas o Livro da Tribo é um caminho de mão dupla. Em troca, esperamos a participação do leitor: concordando, discordando, criticando… interferindo! Durante essa jornada produzimos mais de um milhão e meio de livros e o processo de cada edição foi e continua sendo apaixonante!

O que é e para que serve

Quem folheia o Livro da Tribo percebe imediatamente que ele tem formato de agenda. A diferença é a presença de ilustrações e textos curtos, dia a dia. Por outro lado, raramente, você verá uma pessoa parada lendo uma agenda que ainda não tem anotações, e isto acontece muito com o LT. Vários leitores o apreciam como livro ou revista, e não anotam nada em suas páginas – o prazer é descobrir, diariamente, o que a obra propõe. Vale inclusive correr até a data de aniversário para ver o que aquela página reserva. Agendas também não têm numeração em suas páginas, mas a presença de mais de 100 autores torna obrigatório o uso de numeração para que você possa localizar rapidamente, através do índice, os textos de uma determinada pessoa.

Outros leitores anotam pensamentos, intimidades, seus próprios voos literários. Ou frases de terceiros. Para estes o LT é usado como um diário pessoal, um espaço para o devaneio e para a emoção. E, claro, muita gente usa como agenda, mesmo, com anotações práticas entremeadas com poemas, lirismo e humor. Porque ninguém é de ferro!

Para adquirir o Livro da Tribo acesse: www.livrodatribo.com.br